A algumas pessoas não cabe o amor
não cabe amar.
Sentir o amor
Desejar o amor
Mas não amar.
Vivem a flertar
com o amor e seus satélites.
O amor de mãe
(da mãe que ama)
sublime e inexplicável amor;
amor despojado e gratuito,
assim: amor.
O amor de amigo,
de quem se toma emprestado
para nunca mais pagar.
Mas também o amor de amigo se vai
se casa
viaja para estudar noutro país
crescer profissionalmente.
O amor religioso,
Da benevolência,
Da fraternidade,
Da compaixão.
Esse é fim de semana
até o relógio despertar para rotina da segunda-feira
ou quando a concha atinge o fundo da panela.
O amor de aluguel,
dos minutos contados e pagos:
um amor de puta
de garoto de programa;
varia conforme a inflação
e a procura de mercado.
Há seres que,
não sabemos bem a razão,
nascem pra viver, somente.
De um jeito ou de outro,
buscando a felicidade,
mas não para amar ou serem amados.
Outro dia passei por uma ruela
e vi dois cães que se cheiravam;
um lambia o sexo do outro
sem qualquer constrangimento.
Havia crianças por perto
Havia velhos por perto
Um bêbado na esquina
observava a cena e ria.
Alguns meninos riam,
e cobriam o rosto de tanto rir.
Entra pra dentro, menino!
E, a essa altura, um já estava
grudado no outro.
Não pelo amor,
mas pelo sexo.
_______________
Antonio Luceni é escritor, artista visual e arquiteto-urbanista. Doutorando em Artes pelo Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista – Unesp/ Câmpus São Paulo e Mestre em Letras/Estudos Literários pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS/ Câmpus Três Lagoas. É professor efetivo, por meio de concurso público, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – IFSP. Membro da Academia Araçatubense de Letras, ocupando a cadeira nº 15, e da União Brasileira de Escritores – UBE.